Dutos de CO₂ e CCUS: A nova infraestrutura da descarbonização e os desafios de integridade

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa como os dutos de CO₂ e as iniciativas de CCUS estão formando a nova infraestrutura da descarbonização, trazendo desafios relevantes de integridade e segurança operacional.

Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que a captura, uso e armazenamento de carbono, o CCUS, costuma ser apresentada como agenda ambiental, porém ela depende de uma infraestrutura física pouco discutida fora dos círculos técnicos: dutos dedicados ao transporte de CO₂. Em 2026, a expansão desse tipo de corredor passa a ser analisada como um novo ciclo de projetos, com exigências próprias de licenciamento, rastreabilidade e integridade, pois o risco não se resume a “vazamento”, ele envolve condições de fase, impurezas, corrosão e responsabilidade de longo prazo.

Diferentemente de redes tradicionais de óleo e gás, o CO₂ transportado pode operar em condições que exigem controle rigoroso para manter estabilidade e evitar eventos operacionais. Assim, o debate precisa integrar engenharia, regulação e governança, para que a solução climática não crie um passivo estrutural.

O que torna o transporte de CO₂ um caso particular na engenharia de dutos

Dutos para CO₂ costumam operar com o fluido em estado denso, o que melhora a eficiência de transporte, mas aumenta a necessidade de controle de pressão e temperatura. Pequenas variações podem alterar o comportamento do escoamento e exigir respostas rápidas do sistema. Além disso, o CO₂ não é “sempre igual”, porque sua pureza varia conforme a fonte industrial e o processo de captura, o que muda o perfil de integridade.

Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que o ponto crítico costuma estar nas impurezas. Traços de água e outros compostos podem elevar a corrosividade e acelerar a degradação se não houver especificação clara e monitoramento consistente. Por conseguinte, a engenharia do duto precisa ser pensada junto ao padrão de qualidade do CO₂ entregue ao sistema, com critérios de aceitação e rastreabilidade de composição.

Integridade e especificação: por que impurezas e fase importam tanto

Em redes de CO₂, especificação não é apenas requisito comercial, ela é ferramenta de proteção do ativo. Definir limites de umidade, contaminantes e condições de operação reduz variabilidade e evita que trechos da malha recebam um fluido fora do padrão previsto. Nesse cenário, a integridade depende de alinhar captura, compressão, medição e transporte como um único sistema, e não como etapas independentes.

Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, o avanço de projetos de transporte de CO₂ exige engenharia especializada, critérios rigorosos de integridade e governança técnica para garantir a viabilidade da infraestrutura de descarbonização.
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, o avanço de projetos de transporte de CO₂ exige engenharia especializada, critérios rigorosos de integridade e governança técnica para garantir a viabilidade da infraestrutura de descarbonização.

Paulo Roberto Gomes Fernandes aponta que a gestão de integridade também precisa considerar a consequência de falhas. Em certos cenários, uma despressurização pode gerar fenômenos físicos complexos, com impactos em segurança e em resposta de emergência. Logo, planos de contingência e desenho de válvulas, bloqueios e isolamento devem ser tratados como parte do método, e não como solução posterior.

Licenciamento e responsabilidade: a governança que acompanha o CO₂ no longo prazo

Projetos de CCUS carregam um componente de responsabilidade prolongada, especialmente quando há armazenamento geológico. Isso desloca o debate do curto prazo para o ciclo completo: quem responde por monitoramento, por quanto tempo, com quais métricas e sob quais regras. Ainda que o duto seja apenas “o meio”, ele participa desse ecossistema, pois integra a cadeia que conecta a fonte emissora ao local de destino.

Paulo Roberto Gomes Fernandes considera que a governança tende a exigir transparência e prova de controle, já que a aceitação social do CCUS depende de confiança. Assim, licenciamento e operação precisam demonstrar rastreabilidade de decisões, critérios de segurança e capacidade de resposta, inclusive em contextos com pressão pública e escrutínio regulatório.

O que projetos bem estruturados costumam fazer em 2026

Em vez de apostar em soluções genéricas, projetos consistentes começam por mapear risco por trecho e por interface: qualidade do CO₂, equipamentos de compressão, travessias sensíveis e proximidade de áreas urbanas. A partir disso, definem especificações, estabelecem limites operacionais e constroem planos de monitoramento que conectem sensores, inspeção e manutenção com gatilhos de decisão.

Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que dutos de CO₂ representam uma nova fronteira de engenharia aplicada, em que descarbonização e integridade precisam caminhar juntas. Em 2026, a agenda avança quando o setor trata o tema como infraestrutura crítica, com especificação rigorosa, governança de longo prazo e método operacional capaz de reduzir risco, sustentar licenças e preservar confiança pública.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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