Tal como apresenta o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista, em meio às transformações recentes no campo da saúde preventiva, com o avanço de testes genéticos, biomarcadores moleculares e tecnologias de inteligência artificial aplicadas ao diagnóstico, a mamografia ocupa uma posição paradoxal. O exame é simultaneamente o método de rastreamento do câncer de mama com maior volume de evidências científicas acumuladas e um dos mais negligenciados pelas próprias pacientes elegíveis.
Compreender as raízes dessa subestimação é indispensável para transformar o rastreamento mamográfico no que ele deveria ser: uma prática universal, contínua e devidamente valorizada. Saiba mais lendo o conteúdo a seguir!
O que torna a mamografia única entre os métodos de rastreamento oncológico disponíveis?
A mamografia é o único método de rastreamento do câncer de mama que demonstrou, em ensaios clínicos de larga escala, capacidade de reduzir a mortalidade pela doença na população geral. Essa distinção é fundamental e frequentemente ignorada nos debates sobre alternativas ao exame: o ultrassom mamário, a ressonância magnética e os testes genéticos têm papéis complementares valiosos, mas nenhum deles possui o mesmo nível de evidência como método de rastreamento populacional de primeira linha. A robustez do corpo de pesquisa que sustenta a mamografia foi construída ao longo de mais de seis décadas de estudos em diferentes países, populações e sistemas de saúde.
Acrescenta-se a isso a capacidade exclusiva de detectar microcalcificações, o marcador imagiológico do carcinoma ductal in situ, lesão que, quando identificada e tratada nesse estágio, tem prognóstico excelente com mínima morbidade terapêutica. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues sustenta que nenhum outro método de rastreamento disponível atualmente consegue identificar esse tipo de achado com a mesma sensibilidade e especificidade da mamografia, o que torna o exame insubstituível enquanto as tecnologias alternativas não alcançam esse patamar de desempenho diagnóstico.

Por que a subestimação do rastreamento tem consequências que vão além do individual?
Quando uma mulher deixa de realizar a mamografia regularmente, o impacto imediato recai sobre sua própria saúde. Contudo, O médico radiologista Vinicius Rodrigues expõe que a subestimação do rastreamento em escala populacional tem consequências que ultrapassam o nível individual e afetam o sistema de saúde como um todo. O diagnóstico tardio eleva o custo médio do tratamento oncológico de forma expressiva, pois tumores em estágios avançados demandam esquemas terapêuticos mais complexos, internações mais prolongadas, maior uso de medicamentos de alto custo e mais recursos de cuidados paliativos. Estima-se que o custo do tratamento de um câncer de mama em estágio IV seja entre cinco e dez vezes maior do que o de um tumor localizado.
Há, todavia, um componente da subestimação que vai além da racionalidade econômica: a perda humana. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues descreve casos em que mulheres com diagnóstico tardio relatavam ter feito o exame anos antes, recebido um resultado normal e simplesmente não retornado, sem que nenhuma estrutura de saúde as buscasse ativamente para manter o rastreamento em dia. Essas histórias revelam que a subestimação não é apenas uma falha individual de comportamento preventivo, mas frequentemente o resultado de um sistema que não organiza, não convoca e não valoriza o rastreamento de forma proporcional à sua importância.
O que mudaria se o rastreamento fosse tratado com a seriedade que merece?
Em países onde o rastreamento mamográfico é organizado com cobertura universal, convocação ativa, controle de qualidade rigoroso e acompanhamento estruturado dos casos alterados, as taxas de diagnóstico precoce são significativamente maiores e a mortalidade por câncer de mama é expressivamente menor. O Brasil tem potencial para avançar nessa direção, mas isso exige vontade política, investimento em infraestrutura e uma mudança cultural que coloque a prevenção oncológica como prioridade real nas agendas de saúde pública.
O Dr. Vinicius Rodrigues reforça que cada avanço nessa direção, seja uma mulher a mais rastreada, um serviço a mais funcionando com qualidade ou uma política pública a mais implementada, representa vidas concretas que chegam ao diagnóstico a tempo de serem tratadas com sucesso. A mamografia não é subestimada por falta de qualidade ou de evidências, mas por uma combinação de barreiras que podem e precisam ser superadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
