Nvidia lança Nemotron 3.5 Lightning e amplia aposta em modelos abertos de inteligência artificial

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Novo modelo tem 30 bilhões de parâmetros, mas ativa apenas 3 bilhões por token, e foi desenvolvido para acelerar agentes de IA, reduzir custos de processamento e permitir maior controle sobre dados e aplicações.

A Nvidia lançou o Nemotron 3.5 Lightning, novo modelo aberto de inteligência artificial desenvolvido especialmente para executar tarefas de alto volume realizadas por agentes autônomos. O modelo foi oficialmente disponibilizado em 11 de agosto de 2026 e amplia a estratégia da companhia de atuar não apenas no fornecimento de chips para IA, mas também no desenvolvimento de modelos e softwares para esse mercado. (NVIDIA Blog)

A novidade possui 30 bilhões de parâmetros no total, mas utiliza uma arquitetura que ativa apenas cerca de 3 bilhões de parâmetros por token durante o processamento. Essa característica busca combinar capacidade de raciocínio com menor consumo computacional, tornando o modelo adequado para tarefas repetitivas executadas continuamente por agentes de inteligência artificial. (NVIDIA Build)

O lançamento também evidencia uma mudança importante no desenvolvimento da IA generativa. Em vez de utilizar modelos gigantes e mais caros para todas as etapas de uma tarefa, empresas podem combinar diferentes modelos e direcionar atividades relativamente simples para sistemas menores e especializados.

Nemotron 3.5 Lightning foi criado para agentes de IA

Um dos principais focos do Nemotron 3.5 Lightning são os chamados agentes de inteligência artificial. Diferentemente de um chatbot convencional que responde a uma pergunta, esses sistemas podem executar sequências de ações, consultar ferramentas, analisar resultados e realizar diferentes etapas até concluir determinada tarefa.

Em operações prolongadas, boa parte do processamento de um agente pode ser dedicada a tarefas como chamadas de ferramentas, validação de resultados e delegação de atividades para outros agentes. A Nvidia desenvolveu o Lightning justamente para executar esse tipo de trabalho em grande volume e com menor latência. (NVIDIA Developer)

A arquitetura utilizada combina tecnologias Mamba-2, Mixture-of-Experts (MoE) e camadas de atenção. O modelo também suporta uma janela de contexto de até 1 milhão de tokens, segundo a documentação disponibilizada pela Nvidia. (NVIDIA Build)

Modelo aberto permite maior personalização

Outro diferencial é a estratégia de abertura adotada pela Nvidia. O Nemotron faz parte de uma família de modelos disponibilizada com pesos abertos, além de recursos destinados à personalização e especialização das ferramentas.

A versão BF16 do Nemotron 3.5 Lightning, por exemplo, é apresentada pela própria Nvidia como um ponto de partida para processos de pós-treinamento, adaptação para áreas específicas, destilação e criação de versões quantizadas. O modelo é distribuído sob a licença OpenMDW 1.1. (NVIDIA NGC)

Isso pode ser especialmente interessante para empresas que não desejam enviar informações confidenciais para serviços externos de inteligência artificial. Em determinadas configurações, uma organização pode executar e adaptar modelos dentro da própria infraestrutura, mantendo maior controle sobre os dados utilizados nas aplicações.

Testes divulgados pela Thoughtworks, parceira com acesso antecipado à tecnologia, indicaram que o Nemotron 3.5 Lightning pôde ser adaptado para domínios como jurídico e saúde em poucas horas utilizando um único nó de processamento. Os resultados são testes específicos da empresa e não devem ser interpretados como garantia de desempenho em todos os cenários. (Thoughtworks)

Nvidia aposta em sistemas com vários modelos

O Nemotron 3.5 Lightning também foi apresentado juntamente com o NeMo Switchyard, biblioteca criada para direcionar automaticamente diferentes tarefas entre modelos de inteligência artificial.

A lógica é semelhante à divisão de trabalho. Um modelo mais avançado pode ser utilizado para planejamento e raciocínio complexo, enquanto um sistema mais leve como o Lightning executa tarefas repetitivas e de alto volume. Isso evita que aplicações dependam de um modelo extremamente grande para cada pequena operação. (NVIDIA Blog)

Segundo a Nvidia, essa abordagem pode aumentar a eficiência dos agentes e reduzir o custo computacional de aplicações que permanecem funcionando por longos períodos. O conceito ganha importância conforme empresas começam a desenvolver agentes capazes de executar processos corporativos inteiros de maneira parcialmente automatizada.

Velocidade é uma das principais apostas

A Nvidia afirma que o Nemotron 3.5 Lightning consegue entregar até quatro vezes mais velocidade de saída em determinadas comparações com modelos semelhantes. A empresa também relata redução no tempo necessário para concluir grandes conjuntos de tarefas de agentes. Esses números são benchmarks divulgados pela própria fabricante e o desempenho real pode variar de acordo com hardware, configuração e aplicação. (Analytics India Magazine)

A ativação de apenas 3 bilhões dos 30 bilhões de parâmetros é fundamental para essa proposta. Em vez de utilizar todo o modelo em cada etapa, a arquitetura seleciona partes específicas da rede conforme a necessidade do processamento.

Essa eficiência pode facilitar a utilização do modelo em diferentes ambientes. A Nvidia posiciona a tecnologia para aplicações que vão de dispositivos de borda e computadores a estações de trabalho, servidores e grandes data centers. (NVIDIA Blog)

IA pode funcionar diretamente no dispositivo

Uma das possibilidades abertas por modelos mais eficientes é ampliar a execução local de inteligência artificial. O Nemotron 3.5 Lightning já recebeu suporte para funcionamento por meio do Ollama, incluindo processamento diretamente no dispositivo do usuário em hardware compatível. (Ollama)

Executar um modelo localmente pode trazer vantagens em privacidade e controle de informações, porque determinados dados não precisam necessariamente ser enviados para uma plataforma externa. Também pode reduzir a dependência constante de serviços de IA hospedados na nuvem.

Para empresas, essa possibilidade abre espaço para aplicações internas especializadas, incluindo análise de documentos, automação de processos, programação, sistemas de busca corporativa e agentes capazes de utilizar ferramentas próprias da organização.

Nvidia amplia presença além dos chips

O lançamento também reforça a expansão da Nvidia dentro da cadeia de inteligência artificial. A companhia é conhecida principalmente pelas GPUs utilizadas para treinamento e execução de modelos, mas vem construindo um ecossistema que envolve software, bibliotecas, infraestrutura e modelos próprios.

Com o Nemotron 3.5 Lightning, a empresa passa a oferecer mais uma camada dessa infraestrutura. Desenvolvedores podem utilizar hardware Nvidia, ferramentas de execução da companhia e agora modelos abertos desenvolvidos para aplicações especializadas.

O resultado é uma estratégia que aproxima cada vez mais hardware e software. Em vez de disputar apenas a venda dos processadores que sustentam a expansão da IA, a Nvidia procura participar também da forma como aplicações inteligentes são construídas e executadas.

O que o lançamento representa para o mercado de IA

O Nemotron 3.5 Lightning também demonstra que a competição em inteligência artificial não ocorre apenas pela criação do maior ou mais poderoso modelo. Eficiência, velocidade, possibilidade de personalização e custo de execução estão se tornando fatores igualmente importantes.

Conforme agentes autônomos passam a realizar milhares de pequenas operações, utilizar um modelo de fronteira em todas elas pode aumentar significativamente o consumo de recursos. Modelos especializados e mais leves podem assumir parte desse processamento.

O lançamento do Nemotron 3.5 Lightning, portanto, representa mais do que a chegada de outro modelo de linguagem. Ele reforça uma tendência em direção a sistemas formados por vários modelos especializados, nos quais cada IA assume a tarefa mais adequada às suas características.

Para a Nvidia, essa transformação cria uma oportunidade estratégica. A companhia já ocupa posição central na infraestrutura física da inteligência artificial e agora tenta ampliar sua presença também no ecossistema de modelos, agentes e softwares que funcionam sobre essa infraestrutura.

Fontes: Nvidia — anúncio do Nemotron 3.5 Lightning · Nvidia Developer — detalhes técnicos · Nvidia NGC — ficha oficial do modelo

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