Investimentos mundiais em segurança da informação devem chegar a cerca de US$ 240 bilhões em 2026, enquanto empresas reforçam sistemas para enfrentar ameaças digitais cada vez mais automatizadas.
O avanço da inteligência artificial está transformando não apenas a maneira como empresas desenvolvem produtos e automatizam processos, mas também o cenário mundial de segurança digital. Com ferramentas de IA sendo incorporadas tanto às estratégias de defesa quanto às técnicas utilizadas por criminosos, organizações estão aumentando seus investimentos para proteger dados, sistemas e infraestruturas críticas.
A projeção é que os gastos globais dos usuários finais com segurança da informação alcancem aproximadamente US$ 240 bilhões em 2026, crescimento estimado em 12,5% sobre 2025. A previsão é da Gartner, que anteriormente calculava despesas de cerca de US$ 213 bilhões em 2025 e US$ 193 bilhões em 2024. (Gartner)
O movimento acontece enquanto empresas enfrentam uma nova geração de riscos digitais. Sistemas de inteligência artificial podem aumentar a velocidade de determinadas operações maliciosas, facilitar a criação de mensagens fraudulentas mais convincentes e ampliar a capacidade de criminosos de pesquisar possíveis vítimas.
Inteligência artificial muda o cenário dos ataques digitais
A mesma tecnologia utilizada para automatizar tarefas empresariais também pode ser explorada para aperfeiçoar golpes de engenharia social, phishing e tentativas de fraude. Ferramentas generativas conseguem produzir rapidamente mensagens personalizadas e conteúdos capazes de imitar padrões de comunicação utilizados por pessoas e organizações.
Relatos recentes também reforçam a preocupação com ataques envolvendo falsificação de identidade e comprometimento de contas corporativas. Em determinados casos, criminosos podem utilizar inteligência artificial para reproduzir estilos de escrita e tornar comunicações fraudulentas mais convincentes. (The Times of India)
O problema não significa, porém, que a IA esteja apenas beneficiando os atacantes. Empresas de segurança estão incorporando modelos inteligentes às próprias plataformas para analisar grandes volumes de informações, identificar comportamentos suspeitos e acelerar a resposta a incidentes. Dessa forma, a tecnologia passa a atuar nos dois lados da disputa entre defesa e ataque digital. (Investor’s Business Daily)
Cibersegurança ganha espaço nos investimentos das empresas
A expansão dos riscos ajuda a explicar por que segurança digital está ganhando uma parcela maior dos investimentos tecnológicos. Além da proteção tradicional de redes e computadores, as organizações precisam agora pensar em segurança de aplicações, proteção de dados, privacidade, infraestrutura em nuvem e nos próprios sistemas de inteligência artificial.
A Gartner já apontou que a rápida adoção da IA está aumentando a necessidade de recursos destinados à proteção dessa infraestrutura. Entre as áreas beneficiadas estão segurança de aplicações, segurança e privacidade de dados e proteção de infraestrutura. (Gartner)
Esse movimento ocorre paralelamente a uma expansão ainda maior dos investimentos em tecnologia. Em projeção divulgada no fim de julho, a Gartner estimou que os gastos mundiais com TI podem alcançar US$ 6,37 trilhões em 2026, crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior. (PR Newswire)
Empresas precisam proteger também os próprios sistemas de IA
A disseminação de modelos generativos cria ainda outro desafio: proteger as ferramentas de inteligência artificial utilizadas internamente. Sistemas corporativos podem acessar documentos, bancos de dados, e-mails e outras informações estratégicas, aumentando a necessidade de definir controles rígidos de acesso e utilização.
O relatório Cost of a Data Breach 2026, da IBM, aponta aumento de ataques impulsionados por IA, incluindo incidentes envolvendo falsificações digitais e malware habilitado pela tecnologia. O estudo também mostra o outro lado da equação: organizações que utilizam extensivamente IA e automação na área de segurança podem obter economia significativa nos custos associados a violações de dados. (IBM)
A tendência reforça uma mudança importante nas estratégias corporativas. Não basta investir apenas em modelos de inteligência artificial ou na infraestrutura necessária para executá-los. Quanto maior a integração dessas ferramentas aos processos internos, maior também se torna a necessidade de mecanismos de proteção capazes de controlar dados, identidades digitais e permissões.
Segurança digital entra em nova fase
Outro fator que pressiona o setor é a velocidade da evolução tecnológica. A infraestrutura dedicada à inteligência artificial continua crescendo rapidamente: a Gartner prevê que os gastos mundiais com infraestrutura como serviço otimizada para IA cheguem a aproximadamente US$ 42 bilhões em 2026, avanço de 96%. (Gartner)
Com mais sistemas conectados e mais aplicações utilizando modelos inteligentes, aumenta também a superfície que precisa ser protegida. Por isso, soluções capazes de detectar ameaças automaticamente e responder rapidamente a comportamentos anormais tendem a ocupar espaço crescente nos departamentos de tecnologia.
Para empresas e consumidores, a transformação traz uma consequência direta: a segurança digital deixa de ser apenas uma preocupação técnica e passa a fazer parte da estratégia de adoção da própria inteligência artificial. Em 2026, o avanço simultâneo dos investimentos em IA e cibersegurança mostra que inovação e proteção estão cada vez mais interligadas.
A expectativa de aproximadamente US$ 240 bilhões em gastos globais com segurança da informação evidencia a dimensão dessa mudança. À medida que a inteligência artificial amplia as possibilidades de automação, empresas também precisarão investir em governança, treinamento, monitoramento e proteção de dados para aproveitar a tecnologia sem ampliar desnecessariamente sua exposição a ataques. (Gartner)
