Ranking mostra quais empresas o ChatGPT mais associa à inteligência artificial no Brasil

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Levantamento inédito revela que Petrobras, Nubank, Magazine Luiza e TOTVS lideram a percepção da IA sobre o tema, mas a ordem muda conforme a pergunta.

Qual empresa brasileira o ChatGPT considera líder em inteligência artificial? A resposta, segundo um levantamento exclusivo da startup Ranqia publicado pela Fast Company Brasil nesta semana, não é única. Tudo depende de como a pergunta é feita.

O estudo analisou como o ChatGPT 5.5 Instant responde quando questionado sobre liderança, produtos, resultados e transformação empresarial com IA no Brasil, reunindo 22 perguntas distribuídas em quatro grandes temas. Os prompts não citavam nenhuma marca previamente, e cada pergunta foi repetida várias vezes, em condições controladas e sem histórico de conversa, para dar consistência estatística aos resultados.

O objetivo era entender não qual empresa realmente lidera em tecnologia, mas qual delas o modelo de linguagem enxerga com mais frequência quando o assunto é IA. Essa diferença entre percepção e liderança real é justamente o ponto mais delicado do estudo, e volta a aparecer em todas as suas conclusões.

Petrobras aparece no topo, mas a disputa é apertada

No ranking geral, que soma a presença das marcas em todas as respostas analisadas, a Petrobras ocupa a primeira posição, citada em 63,09% das respostas. Logo atrás vêm Nubank, com 60,25%, Magazine Luiza, com 59,59%, e TOTVS, com 58,57%. O Itaú Unibanco completa o top 5, com 50,63% de visibilidade.

A diferença entre a primeira e a quarta colocada é de apenas 4,52 pontos percentuais, o que mostra que nenhuma empresa domina isoladamente essa percepção. Vale, Semantix, Bradesco, Take Blip, iFood e Embraer completam a primeira metade da lista, reunindo companhias de energia, bancos, varejo e empresas especializadas em tecnologia.

Quando o recorte muda para a pergunta específica sobre quem lidera o uso de IA em 2026, Petrobras e Nubank aparecem praticamente empatadas, com 98,8% e 98,7% de menções, respectivamente. Ainda assim, o Nubank leva vantagem em outro critério importante: quando aparece, costuma ser citado antes, na posição média 1,9 contra 2,7 da Petrobras, e foi apontado em primeiro lugar em 68% das vezes em que surgiu, contra 16,7% da petroleira.

Ou seja, aparecer com frequência e aparecer primeiro são coisas diferentes, e o estudo separa bem esses dois efeitos. Isso ajuda a explicar por que uma empresa pode liderar o ranking geral e, ainda assim, não ser a primeira lembrança do modelo em perguntas mais específicas.

Cada pergunta gera um vencedor diferente

O levantamento também mostrou que empresas menos conhecidas do grande público ganham espaço quando o assunto é técnico. Quando a pergunta trata especificamente de produtos e soluções de IA, quem lidera é a Take Blip, com 87% de visibilidade, seguida por Semantix e Kunumi, empresas mais voltadas a tecnologia corporativa do que ao consumidor final.

Já quando o tema é escala operacional e resultados concretos, o Nubank assume a ponta, com 86,7%, seguido por Magazine Luiza e Petrobras. Nas perguntas sobre estratégia e transformação empresarial, a Petrobras volta a liderar, com 67,5%, seguida por TOTVS e Magazine Luiza.

O que faz uma marca aparecer nas respostas da IA

Segundo a Ranqia, os argumentos mais usados pelo ChatGPT para justificar a presença de uma marca nas respostas são eficiência e automação, citados em 99,7% dos casos, seguidos por experiência do cliente e atendimento personalizado, em 99,4%, e produtos e plataformas de inovação, em 99%.

O estudo também analisou quais sites o modelo mais consulta ao formular as respostas. O YouTube aparece entre as fontes recuperadas em quase 80% das respostas, mas raramente recebe crédito explícito, aparecendo como citação visível em apenas 0,71% dos casos. Isso indica que parte da influência sobre o que a IA responde acontece numa camada de pesquisa que o usuário final não vê diretamente.

Os autores da pesquisa fazem questão de destacar que visibilidade no ChatGPT não é sinônimo de liderança tecnológica real, e sim um reflexo de como o modelo organiza informações disponíveis na internet sobre cada empresa. Esse tipo de estudo ganha relevância à medida que consumidores e investidores passam a recorrer a assistentes de IA para pesquisar empresas antes de decisões de compra ou de carreira, tornando esse tipo de disputa por presença tão relevante quanto os indicadores tradicionais de mercado.

Fonte: Fast Company Brasil

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