Com 155 milhões de eleitores convocados e partidos se reorganizando sob novas regras, o pleito de outubro vai redefinir a composição do Legislativo num momento em que o Congresso tem mais poder do que nas últimas décadas.
Quando o assunto é eleição presidencial, os holofotes se concentram nas disputas entre os nomes mais conhecidos. Mas há uma dimensão da política brasileira que raramente recebe atenção proporcional à sua importância: a composição do Congresso Nacional. Em 2026, essa questão ganha contornos especialmente relevantes porque o Legislativo brasileiro saiu da última legislatura com um poder real sobre o orçamento e a política pública que simplesmente não existia dessa forma antes.
Uma análise da CNBB aponta uma mudança importante na estrutura do poder político brasileiro, com a ampliação da influência do Congresso Nacional sobre o orçamento público e sobre a formulação de políticas governamentais. Em termos práticos, isso significa que o presidente eleito em outubro, seja quem for, precisará construir uma base parlamentar sólida para governar. O Congresso que sair das urnas em outubro terá a capacidade concreta de aprovar ou bloquear reformas, liberar ou segurar verbas e definir os limites do que qualquer governo consegue fazer. CNBB
A reorganização dos partidos e o que está em jogo
As Eleições 2026 marcarão a quinta disputa nacional realizada sob as regras da cláusula de desempenho, mecanismo que estabelece critérios mínimos para o funcionamento dos partidos políticos. Desde a implementação da medida, houve diminuição no número de siglas com representação no Congresso: em 2018, 30 partidos elegeram ao menos um deputado federal; já em 2022, esse número caiu para 19. Atualmente, 17 legendas possuem representação na Câmara dos Deputados. Tribunal Superior Eleitoral
A consolidação dos partidos em federações é o mecanismo central desse processo. Entre as federações atualmente em vigor estão o PSDB Cidadania, o PSOL Rede, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a Renovação Solidária (PRD e Solidariedade) e a União Progressista (União Brasil e PP). Cada uma dessas estruturas vai disputar não apenas cadeiras, mas a influência sobre o orçamento e a pauta legislativa dos próximos quatro anos. Tribunal Superior Eleitoral
O calendário eleitoral também traz restrições que passam despercebidas para a maioria dos eleitores. A partir de 4 de julho, ficam vedadas algumas condutas por parte de agentes públicos, como nomeações, exonerações e contratações, assim como participação em inauguração de obras públicas. Esse período de silêncio administrativo é uma tentativa de nivelar o campo de disputa e impedir que quem está no poder use a máquina pública para se promover às custas dos contribuintes. Tribunal Superior Eleitoral
O eleitor que ainda não decidiu e o que isso revela
A pesquisa da CNT, divulgada nesta terça-feira, 16 de junho, aponta que apenas 12,1% dos eleitores já estão com os votos definidos para deputado federal e senador. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O índice revela algo que os pesquisadores de comportamento eleitoral sabem há muito tempo: o brasileiro tende a decidir o voto para o Legislativo muito mais tarde do que o voto para presidente ou governador. A consequência disso é que as campanhas parlamentares ganham ou perdem uma quantidade enorme de votos nas últimas semanas, quando os candidatos conseguem mais espaço nos programas eleitorais e na propaganda política. Gazeta do Povo
A análise de conjuntura apontou também uma reorganização de forças em disputa, com a polarização ainda relevante, mas com o surgimento de novos movimentos internos tanto à direita quanto à esquerda. Esse deslocamento de forças dentro dos blocos políticos pode produzir surpresas nos resultados de outubro, especialmente em estados onde nomes novos conseguiram visibilidade nas eleições municipais de 2024 e agora tentam dar um salto para o plano federal. CNBB
O Congresso que será eleito em outubro vai governar um país que está mudando: mais digital, mais polarizado, mais jovem em termos de eleitorado ativo. Quem souber se comunicar com esse eleitorado e mostrar que tem propostas concretas, e não apenas filiações partidárias convenientes, estará em melhor posição para ocupar as 513 cadeiras da Câmara e as 81 do Senado que definem, semana a semana, como o Brasil funciona.
Fontes: Gazeta do Povo (https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/eleitor-ainda-nao-decidiu-votos-para-senado-camara-federal-aponta-pesquisa-cnt/) | TSE (https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Junho/clausula-de-desempenho-deve-influenciar-cenario-partidario-nas-eleicoes-2026) | CNBB (https://www.cnbb.org.br/conselho-permanente-junho-2026-analise-conjuntura-eleicoes/) | TRE-RJ (https://www.tre-rj.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Marco/eleicoes-2026-conheca-a-ordem-de-votacao-na-urna-eletronica)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
