Expansão da quinta geração de internet móvel avança mais rápido que o previsto e já muda a forma como o brasileiro se conecta.
O Brasil vive a fase mais acelerada de expansão da internet móvel de sua história. Segundo dados da Anatel divulgados em fevereiro de 2026, o país fechou 2025 com 270,2 milhões de acessos celulares, um crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior. Desse total, 58,1 milhões já são conexões 5G, o equivalente a 21,5% de todos os acessos móveis do país.
O salto é expressivo: em 2024 eram 39,9 milhões de acessos 5G, o que representa um avanço de 46,6% em apenas um ano. A cobertura da tecnologia já alcança 64,94% da população brasileira, distribuída em mais de dois mil municípios, superando com folga a meta de 57,67% que havia sido estabelecida para 2027.
Para quem ainda não trocou o aparelho ou não sabe se a região onde mora já tem sinal, entender esse ritmo de expansão ajuda a planejar upgrades de plano e de celular com mais segurança. A dúvida mais comum entre consumidores é justamente essa: o 5G já chegou na minha cidade, ou ainda vou precisar esperar?
Como o Brasil se tornou referência mundial em velocidade de conexão
O desempenho do 5G brasileiro chamou atenção internacional. De acordo com a Opensignal, três operadoras (Vivo, Claro e TIM) estão hoje entre as campeãs mundiais de velocidade de download, o que colocou o Brasil entre os líderes globais em qualidade de conexão 5G. O país saltou da 80ª para a 45ª posição no ranking global de velocidade desde o início das operações comerciais, em julho de 2022.
Esse avanço não aconteceu por acaso. Segundo a Conexis Brasil Digital, entidade que representa as operadoras, as empresas já instalaram 73% das 45.281 antenas previstas no edital de leilão até 2030 e superaram em 100% as metas de cobertura estipuladas pela Anatel para julho de 2025. Entre 2021 e 2024, a maior parte dos R$ 156,2 bilhões investidos pelas operadoras no país foi destinada justamente à construção dessa infraestrutura.
Boa parte desse crescimento, no entanto, é puxada por estados com maior poder aquisitivo, o que gera uma diferença regional que ainda precisa ser equilibrada. Todos os estados registraram crescimento de dois dígitos em conexões 5G, mas essa expansão ocorreu, em muitos casos, às custas de tecnologias mais antigas.
O país perdeu 3,6 milhões de conexões 2G e 3G e 7,8 milhões de conexões 4G, um movimento de substituição tecnológica e não de encolhimento do mercado, já que estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo tiveram quedas relevantes em acessos 4G justamente por causa da migração para redes mais modernas.
O plano do governo para levar 5G às cidades menores
O Ministério das Comunicações projeta que o 5G alcance mais de 2,2 mil cidades brasileiras até o fim de 2026, com foco especial em municípios de pequeno e médio porte. A expectativa é que mais de 800 cidades com menos de 30 mil habitantes recebam a tecnologia ainda este ano.
O ministro Frederico de Siqueira Filho classificou o momento como a maior transformação de conectividade já vivida pelo país, argumentando que o 5G vai além da velocidade de internet e representa também inovação e novas oportunidades econômicas para regiões historicamente mais isoladas da infraestrutura digital. A implantação segue o cronograma definido no edital do leilão conduzido pela Anatel, que prevê metas graduais de cobertura até 2030.
Esse tipo de expansão tem efeito direto em setores como telemedicina, agricultura de precisão e Indústria 4.0, áreas que dependem de conexões estáveis e de baixa latência para funcionar. Um estudo da consultoria Omdia projeta um impacto de US$ 1,2 trilhão na economia brasileira até 2035 a partir do avanço da tecnologia.
O que muda na prática para quem usa o celular no dia a dia
Para o usuário comum, a chegada do 5G a mais municípios costuma significar não apenas velocidade maior no celular, mas também acesso mais barato a planos de internet via tecnologia FWA, banda larga sem fio que funciona como alternativa útil em regiões onde a fibra óptica ainda não chegou. Essa tecnologia já foi usada, por exemplo, no Rio Grande do Sul durante as enchentes que interromperam conexões tradicionais na região.
A tendência é que a cobertura continue subindo mês a mês, acompanhando o calendário de obrigações definido pela Anatel para as operadoras. Quem mora em cidade pequena e ainda não tem 5G disponível pode acompanhar o cronograma de expansão diretamente nos canais oficiais da agência, já que o histórico recente mostra que as metas vêm sendo cumpridas antes do previsto, o que reforça a expectativa de que a cobertura total supere, mais uma vez, o que havia sido combinado no leilão original.
Fontes: Anatel | TELETIME | TELETIME | Conexis Brasil Digital
